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No meu Palato

No meu Palato

Palácio Estoril Hotel | Ao serviço de suas íngremes majestades

"Os diamantes são eternos." Ian Fleming

Palacio Estoril Golf & Wellness HotelA cena de abertura do filme "Ao Serviço de Sua Majestade", o sexto da famosa série James Bond, mostra Bond a salvar uma mulher muito charmosa de se afogar, propositadamente,  numa praia perto do Estoril, enquanto o dia amanhece. 

Palacio Estoril Golf & Wellness HotelDepois de uma luta um pouco anedótica, com alguns vilões por entre barcos de pesca (um dos vilões acaba mesmo preso numa das redes dos pescadores), Bond regressa ao Hotel Palácio no Estoril. No filme vemos Bond a estacionar o seu Aston Martin ao lado do carro que pertence à condessa Teresa 'Tracy' di Vicenzo, a mulher que ele acabara de salvar. Assim começa um dos mais aclamados filmes deste agente secreto.

Palácio Estoril HotelMas que é que Bond andava a fazer por Cascais? Ou mais importante, porque é que Ian Fleming, o seu criador, escolheu uma das zonas mais glamorosas do nosso país para cenário principal deste romance? Bem, as respostas a estas duas perguntas têm mais a ver com História do que com ficção.

Palacio Estoril Golf & Wellness HotelDurante a Segunda Guerra Mundial, Portugal manteve-se um país neutro (uma das coisas boas, poucas, que devemos ao Salazarismo). Isso fez com que o Estoril se tornasse num hub para os judeus (bem na verdade não eram apenas judeus, mas todos os que temiam Hitler) fugirem da loucura nazi em direcção à América do Norte.

Palacio Estoril Golf & Wellness HotelPara além disto, o Estoril era também um importante centro de espionagem, com agentes e agentes duplos a vigiarem-se mutuamente, reunindo-se muitas vezes nos bares da vila. Um desses agentes era o espião sérvio e agente duplo britânico Dusko Popo (que também trabalhava para os alemães), uma personagem que imediatamente fascinou Ian Fleming quando, em 1941, os dois se conheceram no Estoril.

Palacio Estoril Golf & Wellness HotelApós uma breve carreira no jornalismo antes da Segunda Guerra Mundial rebentar, Fleming passou a trabalhar para a Divisão de Inteligência Naval, como assistente pessoal do seu director, o contra-almirante John Godfrey. Em Maio de 1941, Fleming e Godfrey visitaram Lisboa a caminho de Washington para promover a cooperação de inteligência com os americanos. 

Palacio Estoril Golf & Wellness HotelOs serviços secretos britânicos queriam que os americanos criassem uma agência de inteligência estrangeira semelhante ao MI6. Em Washington, Godfrey encontrou-se com o presidente americano, Roosevelt, enquanto Fleming o auxiliava na elaboração de uma carta normativa para a nova agência, a ser conhecida como Escritório de Serviços Estratégicos, nascia assim a primeira versão da actual CIA.

Palacio Estoril Golf & Wellness HotelNa viagem de regresso para Londres, já em pleno Verão, Fleming voltou a fazer escala em Lisboa, decidindo tirar umas mini-férias no Hotel Palácio do Estoril. Frequentado pela realeza, o Palácio atraiu Fleming porque era contíguo ao Casino do Estoril (os casinos eram, na época, uma raridade na Europa),  onde ele poderia jogar enquanto se deliciava com os afamados cocktails do casino. Tal como Fleming, Popov era um jogador que evidenciava uma especial atracção por mulheres e por bebida (não os podemos condenar, não é verdade? ;)). 

Palacio Estoril Golf & Wellness HotelApós dizer a Godfrey que tinha conhecido um espião sérvio do Estoril, o director pediu a Fleming que este se mantivesse atento às movimentações desse arrojado agente duplo. É assim que Fleming fica a conhecer, pormenorizadamente, o homem que mais tarde o inspiraria a criar o personagem James Bond.

Palacio Estoril Golf & Wellness HotelJá agora, o nome James Bond deve-se ao facto de Fleming também gostar de ... pássaros. Devido a essa paixão, Fleming mantinha na sua mesa de cabeceira uma cópia do livro as Aves das Índias Ocidentais. Um guia bastante preciso e muito conhecido na altura, criado especialmente para observadores de pássaros,  e escrito por um ornitólogo de Filadélfia, de seu nome ... James Bond. 

Palacio Estoril Golf & Wellness HotelComo Fleming queria que o nome do seu personagem fosse misterioso, sedutor e foneticamente agradável, e que ao mesmo tempo soasse confiável, simples e directo, o escritor adoptou o nome do ornitólogo para aquele que se iria tornar no espião mais conhecido de sempre.

Palacio Estoril Golf & Wellness HotelTodo este contexto histórico fez com que Fleming se inspirasse no Palácio do Estoril para escrever o “Casino Royale” em 1953, e para em 1968, ter sugerido o Hotel para cenário principal de “Ao serviço de sua majestade”

Palacio Estoril Golf & Wellness HotelO exterior do Hotel, o lobby, a piscina e alguns quartos, são parte integrante de muitas das cenas desse filme que estreou em 1969. Na altura, outros locais da região, como a Praia do Guincho, Lisboa e a Serra da Arrábida, foram também seleccionados para algumas das cenas desta longa-metragem.

Palacio Estoril Golf & Wellness HotelAinda há sobreviventes dessa bela época, José Diogo, actualmente um dos Chefes do Concierge do hotel, participou no filme quando tinha 18 anos. Podemos vê-lo em algumas cenas do filme, a entregar a chave do quarto ao agente secreto James Bond, na altura interpretado por George Lazenby.

Palacio Estoril Golf & Wellness HotelO hotel parece que não saiu desses tempos, no bom sentido da expressão. Desde 1930 que este hotel espalha charme pela riviera portuguesa, por ser diferente mas também por ter sabido manter a nostalgia sem descorar o conforto e a modernidade. Quando se entra no Hotel e se é recebido com um "boa tarde Monsieur & Madame Martins" dos amicíssimo porteiros, percebemos logo que iniciamos uma viagem no tempo, viagem essa que continua a decorrer na actualidade e a projectar-se no futuro.

Palacio Estoril Golf & Wellness HotelO Hotel conta ainda com o SPA Banyan Tree com duas piscinas interiores, que se assumem como um verdadeiro templo de bem estar e saúde; e com o Golf com 27 buracos. Sobranceiro ao Estoril e ao mar, este campo de 5200 metros de comprimento desenvolve-se entre eucaliptos, mimosas e pinheiros que lhe dão um colorido especial.

Palacio Estoril Golf & Wellness HotelO ambiente exclusivo que se faz sentir no Hotel, inspira todos aqueles que nele entram, desde a sua impressionante fachada integralmente branca e belíssimos jardins, até à sua elegante decoração clássica, actualizada no decorrer do tempo, mas sem perder a matriz de intemporalidade, luxo e sofisticação.

Palacio Estoril Golf & Wellness HotelDepois de termos passeado os miúdos por todo este legado histórico do mítico Hotel, e após uns belos mergulhos na piscina, era chegada a hora de re(visitar) o Grill Four Seasons, que se destaca pelo seu ambiente romântico, acolhedor e místico, perfeito para desfrutar de uma refeição com sabores clássicos.

Palacio Estoril Golf & Wellness HotelApós as surpresas do chefe, a refeição iniciou com uma "Tarte de foie gras com morangos grelhados e avelã" (uma delicia!!!), prosseguiu com um rico e saboroso "Creme de ervilhas com gema fumada e presunto pata negra" e atingiu o seu expoente máximo no "Pregado com texturas de curgete, lagostim e açafrão", carregado de texturas complementares, sabores a mar e uma harmonia assente em contrastes sensoriais. 

Palacio Estoril Golf & Wellness HotelSeguiu-se um "Entrecôte rib eye Angus maturado grelhado com alho francês braseado, mil folhas de batata e espargos verdes", que exibia uma crocância fumada no exterior e um suco muito rico aprisionado no interior, e que em conjunto promovia uma untuosidade requintada tão generosa quanto apetitosa. Os acompanhamentos acrescentaram elegância, profundidade e camadas de sabor, numa simbiose gastronómica que acabou por funcionar muito bem. 

Palacio Estoril Golf & Wellness HotelNas sobremesas a nossa favorita foi a "Framboesa, pistachio e brulé de baunilha de Madagáscar". É cremosa, delicada e doce. No entanto, é também fresca, untuosa e camaleónica. Com o brulé coberto por uma camada crocante de caramelo e pincelado pelo aroma floral e ligeiramente amadeirado da baunilha de Madagáscar é difícil conter a gula, garfada após garfada. A ligeira untuosidade está balanceada com a frescura do molho de framboesa e com a orientalidade do pistachio. Muito bom!!!

Palacio Estoril Golf & Wellness HotelNo final do jantar, percorremos a Galeria Real. O Palácio Estoril foi a "segunda casa" das famílias reais espanhola, italiana, francesa, búlgara e romena e, ainda hoje, continua a ser o local de eleição dos seus descendentes. Foi em homenagem a todos estes ilustres habitués do hotel que esta galeria foi criada em Fevereiro de 2011, e na qual podemos hoje apreciar memórias fotográficas de grandes personalidades da realeza europeia que se passaram pelo Hotel.

Palacio Estoril Golf & Wellness HotelA Galeria Real entretanto transformou-se num dos pólos de atracção turística do Estoril. Com toda aquela pompa e circunstância a seguir a um jantar incrível, é difícil não nos sentirmos um pouco pertencentes à realeza... :P O dia seguinte amanheceu bonito, permitindo um agradável passeio pelo Cabo da Roca e pelos desafiantes trilhos que nos levaram à praia da Ursa.

Palacio Estoril Golf & Wellness Hotel Para a Bia esses caminhos pedestres eram bastantes íngremes (também se surpreendem/orgulham quando as vossas crianças vos surpreendem com o uso de certo vocabulário? ;))  Esta zona é um paraíso em estado bruto, emoldurado por magníficas formações rochosas, tendo sido, por diversas vezes, considerada pelo Guia Michelin como uma das praias mais bonitas do mundo e é presença assídua nas diferentes listas relativas às melhores praias desertas da Europa. É lindíssima, arrebatadora e super tranquila, mas como o adjectivo da Bia deixa transparecer ... não é para todos e há que levar a caminhada com calma!!!

Palacio Estoril Golf & Wellness HotelDepois de tão desafiante passeio (na verdade foi a Clarisse que carregou o Gui na maior parte do tempo), o reconfortante e equilibrado pequeno-almoço "caiu que nem ginja"!!! ;). O Palácio Estoril Golf & Spa Hotel continua a ser o hotel favorito de chefes de estado, famílias reais, intelectuais, artistas, escritos, músicos, realizadores e actores.

Palacio Estoril Golf & Wellness HotelCompetência, sensibilidade, carinho e saber fazer. Por tudo isto, é que o carimbo "Grand & Cosy" dado por Carlos Pissara, relações-públicas do Hotel, lhe assenta muito bem. Esta é mais do que a assinatura do hotel, é a definição do seu ADN, grand porque emprega 160 pessoas, porque é clássico na arquitectura mas moderno nas suas funcionalidades, porque foi renovado e actualizado; cosy porque apesar de grande é acolhedor, confortável, intimista e próximo. É um grande do passado, modernizado e não desvirtuado. 

Palacio Estoril Golf & Wellness HotelCom esta história do blogue já vistamos muitos espaços, muitos hotéis, mas este teve qualquer coisa de especial. Qualquer reunião no hotel acerca da nossa visita se transformava numa amena cavaqueira, em que muitas vezes dava por mim completamente fascinado com as histórias do passado do Hotel. Fizeram-me recuar uns anos, para a altura em que o meu avô me contava histórias da sua infância. Muitas delas tinham como pano de fundo, uma lição acerca de como avaliar a bondade e grandeza das pessoas.

Palacio Estoril Golf & Wellness HotelÉ pelo seu agir. Agir correctamente, é essa a inteligência verdadeira. Porque termos de querer aquilo que somos. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de Palácio tem qualquer terra larga (já dizia Fernando Pessoa), mas alma de Palácio, só ali, junto ao Estoril. Obrigado ao Sr. Domingos Rodrigues, Chefe de sala, pela maneira verdadeiramente incrível com que fomos tratados no vosso Palácio (isto apesar dos constrangimentos conjunturais que o sector atravessa). O coração, esse, veio carregado com mais um amigo...

Palacio Estoril Golf & Wellness HotelO Hotel continua a estar ao serviço de Suas Majestades, que, na realidade ... são os seus hóspedes, e prova, diariamente, que também na hotelaria, a classe genuína é como os diamantes, eterna!!!

São Luiz Winemaker’s Collection Tinto Cão Reserva Rosé 2021 | É um rosé, Senhor, é um rosé...

"Nada se sabe, tudo se imagina. Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada." Fernando Pessoa

 

São Luiz Winemaker’s Collection Tinto Cão Reserva Rosé 2021Winemaker’s Collection identifica a colecção singular de vinhos Douro DOC sob a qual são lançadas edições limitadas: tinto, branco, rosé, numeradas e assinadas pelo enólogo Ricardo Macedo. Para este Reserva Rosé foi seleccionada a casta Tinto Cão, uma das castas mais singulares do Douro que se caracteriza por ter cacho pequeno e película densa.

São Luiz Winemaker’s Collection Tinto Cão Reserva Rosé 2021Provenientes da sub-região do Cima Corgo, as uvas Tinto Cão foram vindimadas manualmente na última semana de Agosto de 2021, sendo depois transportadas em caixas de pequena dimensão, chegando ao centro de vinificação da Quinta de S. Luiz em perfeito estado sanitário e no ponto desejado de maturação.

São Luiz Winemaker’s Collection Tinto Cão Reserva Rosé 2021Com o intuito de evitar extracção de cor, a vinificação procedeu-se com prensagem suave de cachos inteiros, previamente seleccionados, em tapete de escolha. 80% do lote fermentou em inox a temperatura controlada (entre os 10-14 ºC) e os restantes 20% em barricas usadas. Terminada a fermentação alcoólica, foi feito o lote que estagiou 6 meses em vasilha inox com batonnage semanal.

São Luiz Winemaker’s Collection Tinto Cão Reserva Rosé 2021Este São Luiz Winemaker’s Collection Tinto Cão Reserva Rosé 2021 (21.00 €, 91 pts.) traja uma bonita cor salmão-rosada e um aroma bastante complexo/equilibrado/inesperado carregado de rebuçado de framboesa, groselha, arandos, rosas, chocolate branco e cravo. As notas fumadas e uma ligeira pedregosidade aparecem em segundo plano, dando-lhe uma camada extra muito interessante.

São Luiz Winemaker’s Collection Tinto Cão Reserva Rosé 2021Na boca é fresco (quase a remeter-nos para um espumante), persistente e muito equilibrado. É um vinho que (incessantemente) pede comida e que tem tudo para ser um dos lançamentos de referência em 2022. Entrou na lista dos meus rosés favoritos!!! ;)

Vertical Quinta do Noval | Nanos gigantum humeris insidentes tannum

"Naquela primavera e verão, tornou-se impossível olhar pela janela sem nos entretermos com questões de física, de multiversos colapsando sobre si mesmos, de linhas do tempo a quebrarem como plataformas de gelo na Antárctida. Tudo isso estava realmente a acontecer: máscaras e tiranos, sprays de aerossol e palhaços armados?” Gary Shteyngar

Vertical Quinta do Noval 2022Estamos em Março de 2020 e enquanto as uvas que originarão o Noval Vintage Nacional 2020 crescem serenamente, o mundo está em convulsão pandémica. Neste cenário, um grupo de amigos (e amigos dos amigos) reúne-se  numa casa de campo em Hudson Valley, para fugirem às contaminações exponenciais de Nova York, e deixarem, serenamente, a pandemia passar (pelo menos era esse o plano). 

Vertical Quinta do Noval 2022Nos seis meses seguintes, chega tudo menos essa tal serenidade: novas amizades, romances perigosos e traições surpreendentes. Tudo isto vai forçar cada personagem a reavaliar quem ama e o que mais importa.

Vertical Quinta do Noval 2022Este é o enredo inicial (tirando é claro a referência ao Noval Nacional ;)) do livro Our Country Friends de Gary Shteyngart. Ao longo de todo o livro, Shteyngart enfatiza que cada um dos seus personagens foi deslocado não apenas de seus ambientes cosmopolitas mimados, mas também da suposta sensação de segurança que uma cidade como Nova York normalmente engloba. 

Vertical Quinta do Noval 2022Tornados vulneráveis/humanos pela pandemia de um modo nunca antes vivenciado, todos os personagens lutam contra uma verdade que vão preferindo não verbalizar: a de que nenhum dinheiro, talento ou inteligência os pode salvar do medo, da doença ou da morte. É um livro trágico-cómico, uma vez que nos faz rir dos problemas banais que os personagens encontram, mas também nos incomoda com o recordar do medo, da tensão e da dúvida que a COVID-19 nos trouxe.

Vertical Quinta do Noval 2022Com o decorrer da história, Shteyngart muda o foco dessa paródia existencialista para um humor mais próximo dos tons melancólicos e elegíacos de seu ídolo russo, Chekhov. Quem já leu Chekhov percebe imediatamente (a partir do meio do livro) que o princípio de Chekhov se vai cumprir mais uma vez: o de que uma arma colocada no palco tem disparar antes que a cortina desça - a COVID-19 vai também, inevitavelmente, encontrar um alvo naquela casa isolada em Hudson Valley.

Vertical Quinta do Noval 2022No final do romance, os personagens imperfeitos de Shteyngart (cujas preocupações iniciais se prendiam com a canalização, a má rede de internet ou a péssima cobertura telefónica) absorvem lições de humildade, compaixão e fraternidade. É pena que o livro deixe muitas pontas soltas, quase inexplicavelmente, mas tem, no entanto, uma enorme lição: a de que mesmo num ano mau, coisas extraordinárias podem acontecer, coisas essas que nos permitem continuar a rir, a sonhar e a viver.

Vertical Quinta do Noval 2022Em todo o livro a COVID-19 é abordada como um símbolo mutável. No inicio de divisão, de isolamento, de medo de viver no perigo existencial da vida contemporânea. No final, de superação, de persistência, de sobrevivência, de união e de diversidade. Li o Our country friends no inicio deste ano, e fez-me olhar de modo diferente para 2020.

Vertical Quinta do Noval 2022Vamos lá então rever 2020 de outra perspectiva, tivemos vizinhos ingleses que começaram a cantar na chuva com uma festa que cumpriu o distanciamento; uma velhinha com 102 anos que sobreviveu à COVID-19 ... por duas vezes; nos EUA um policia recebeu um transplante (que o manteve vivo) por parte uma mulher que ele tinha colocado na prisão uma década antes; uma criança com 7 anos organizou um baile de finalistas surpresa para a sua babysitter após o oficial ter sido cancelado devido à pandemia; unimo-nos, com máscara posta, enquanto país, contra a assassinato de George Floyd; a comunidade cientifica conseguiu em tempo recorde desenvolver várias vacinas contra a COVID, e todos tivemos um pouco mais de tempo para nos (re)conectarmos com a família.

Vertical Quinta do Noval 2022Confesso-vos que, tirando todos os medos e anseios relacionados com a pandemia, tenho por vezes saudades dos dias de confinamento em que tudo era planeado a 4: dos jantares com "traje de gala" com a Clarisse após as crianças terem adormecido, dos lanches no jardim, das pizzas feitas com a Bia e das cabanas (des)construídas com o Gui.  Também no que diz respeito aos vinhos, 2020 é um ano para ser olhado com a perspectiva de copo "meio cheio", atrevo-me mesmo a dizer, "completamente cheio".

Vertical Quinta do Noval 2022

Do ponto de vista enológico 2020 foi um ano quente e seco, com um período longo de maturação que culminou numa vindima precoce. Os vinhos resultantes mostraram-se ricos, intensos, encorpados, sedosos e com uma grande densidade. Foi para conhecer 2 deles (bem, na realidade foram bem mais) que nos deslocámos ao The Lodge Wine & Business Hotel, em Vila Nova de Gaia, no dia 10 de Maio de 2022 para uma memorável prova vertical da Quinta do Noval.

Vertical Quinta do Noval 2022A prova começou com todos os Porto Vintage lançados na última década. Com o vermelho rubi Quinta do Noval Vintage 2011 (175.00 €, 97 pts.) e os seus frutos silvestres, chocolate, bergamota, bela acidez, equilíbrio e taninos elegantes; com o rubi-roxo Quinta do Noval Vintage 2012 (155.00 €, 95 pts.) e as suas violetas, limonete, caixa de charuto, ameixa seca, groselha, finesse, frescura e taninos suculentos;  com o rubi-roxo Quinta do Noval Vintage 2013  (165.00 €, 94 pts.) e as suas amoras, cerejas, café, chocolate preto, sous bois, ligeiro fumado, taninos elegantes mas firmes e palato frutado, equilibrado, elegante e bem estruturado; e com o violeta Quinta do Noval Vintage 2014  (120.00 €, 96 pts.) e os seus frutos silvestres, amora, ameixa, groselha, figos, tabaco, boa estrutura, intensidade  e alguma contenção. 

Vertical Quinta do Noval 2022Seguiram-se o violeta Quinta do Noval Vintage 2015 (100.00 €, 97.5 pts.) cheio de fruta fresca e madura (cerejas, mirtilo, amora e ameixa), alcaçuz, cedro, equilíbrio, excelente estrutura, final longo e aguardente/taninos super bem integrados (este é, sem margem para dúvidas e na minha opinião, o melhor Vintage não Nacional da última década, está numa fase que já dá imenso prazer na prova mas tem tudo para crescer durante décadas, se encontrarem umas garrafas não as deixem escapar, até porque o preço é muito apelativo ;)); o violeta Quinta do Noval Vintage 2016 (130.00 €, 97 pts.) e a sua canela, cereja madura, violetas, menta, austeridade rústica (explicada pela estrutura sólida de taninos vibrantes), equilíbrio, concentração e confiança;  o rubi quase opaco Quinta do Noval Vintage 2017 (130.00 €, 97 pts.) com violetas, amora, alcaçuz, eucalipto, sous bois, chocolate preto, finesse, enorme acidez, taninos deliciosos, músculo, e final longo e tenso; o rubi  Quinta do Noval Vintage 2018 (100.00 €, 96 pts.) carregado de cereja, limonete, cacau, canela; cedro, caixa de tabaco, chocolate preto, robustez,  profundidade e estrutura indomável; e o rubi negro Quinta do Noval Vintage 2019 (100.00 €, 96 pts.), com ameixa vermelha madura, amora, cereja preta, chocolate preto, sous bois, pimenta preta, densidade, equilíbrio, elegância e complexidade. 

Vertical Quinta do Noval 2022Deixemos o 2020 para depois. Passando para a crème de la crème dos Porto Vintage, o Quinta do Noval Nacional 2011 (3000.00 €, 100 pts.) é um monstro!!! De traje violeta exibe sobranceiramente sous bois, caruma, cogumelos, trufa, café, chocolate preto e groselha. Na boca, deixa de joelhos qualquer pessoa que goste de vinho, é fresco, equilibrado, complexo, largo, denso e interminável. Tenho tido a felicidade de poder ir provando este vinho à medida que envelhece, daqui a umas décadas, deixa de ser vinho e passa a ser filosofia. Impressionante!!!

Vertical Quinta do Noval 2022O violeta Quinta do Noval Nacional 2016 (1500.00 €, 99 pts.) apresentou-se ainda um pouco fechado, quase escondido, é preciso dar-lhe tempo para nos apercebermos  da ginja, do sous bois, das violetas, dos mirtilos, das avelãs e das notas fumadas. Na boca passeia-se pavoneantemente com textura tensa e mineral, incisivo, cheio de camadas e com taninos densos mas sedosos. Apenas não lhe dou 100 pontos por causa de 2011 e 2020.  

Vertical Quinta do Noval 2022O violeta Quinta do Noval Vintage Nacional 2017 (1500.00 €, 99 pts.) apresenta-se com cogumelos frescos, groselha, ameixa, amoras, mirtilos, notas minerais, café, cravinho e loureiro, que emergem lentamente, camada após camada. Surge ainda uma espécie de redução de compota de frutos silvestres arrebatadora. O palato é super equilibrado, fresco, elegante, encorpado, intenso, denso, aveludado e harmonioso.  

Vertical Quinta do Noval 2022O rubi-opaco Quinta do Noval Vintage Nacional 2019 (1500.00 €, 99.5 pts.) emana ameixa seca, compota de frutos silvestres, cereja, esteva, cacau, pimenta preta, gengibre e resina. No palato exibe uma dicotomia muito engraçada entre poder/taninos raçudos/estrutura e elegância/finesse/equilíbrio. É muito complexo, penetrante, equilibrado, harmonioso, mas ainda muito tímido. Baixei a sua nota 0.5 valores depois de provar o Quinta do Noval Vintage Nacional 2020

Vertical Quinta do Noval 2022Passemos então aos Vintage 2020, começando pelo violeta Quinta do Noval Vintage 2020 (100.00 €, 97.5 pts.) que tem um nariz muito frutado (frutos silvestres, cereja e mirtilos), com resina e algum sous bois. Na boca é enorme, equilibrado, complexo, fresco, assertivo e bastante ponderado.  

Vertical Quinta do Noval 2022Por sua vez o rubi-escuro Quinta do Noval Vintage Nacional 2020 (1000.00 €, 100 pts.) é uma ode à beleza tânica. Entra no nariz com aquele aroma a lagar nos dias de vindima, a engaço, a frutos silvestres e com alguma percepção de violetas. Num segundo plano surgem sous-bois, ameixa seca e menta. No palato é complexo, focado, com uma estrutura esculpida como se de uma jóia se tratasse, longo, eclético, quase arrogante,  e exibe uns taninos como ainda não havia sentido ate hoje: elegantes, austeros e frescos. É mais um monstro que vai desafiar as linhas do tempo, criado pela Noval.

Vertical Quinta do Noval 2022Ainda houve tempo para conhecer mais algumas novidades da Quinta do Noval como o amarelo-citrino Quinta do Noval Reserva branco 2021 (60.00 €, 95 pts.) cheio de fruta branca, anis, acácia-lima, esteva, baunilha, caixa de tabaco, notas fumadas e com um lado verde/vegetal que o torna ainda mais complexo. No palato exibe bom volume, uma estrutura incrível e um final longo e muito fresco. Não é um branco consensual, mas eu gostei bastante. Já fazia falta um branco assim no Douro. Por sua vez o violeta Quinta do Noval Touriga Nacional 2019 (32.00 €, 93 pts.) exibe um sedutor aroma a lagar, frutos silvestres, violetas, pimenta preta, chocolate, cereja, fumo e alguma pedregosidade. Na boca é fresco, equilibrado e com taninos firmes e hirtos. 

Vertical Quinta do Noval 2022O rubi escuro Quinta do Noval Reserva tinto 2019 (54.00 €, 96 pts.) emana frutos silvestres, compota de framboesa, chocolate preto, baunilha e tabaco. Na boca, para além de um final longo e sedutor exibe um volume incrível, uma frescura acutilante e uma estrutura notável.  O âmbar-tawny Quinta do Noval Colheita 2009 (52€, 95 pts.) segue a pisada democrato-eclética do antecessor 2007.  Tem um nariz muito denso e vigoroso com alcaçuz, canela, figos secos, café e amêndoas. No palato é complexo, fresco, amplo e persistente.  

Vertical Quinta do Noval 2022A metáfora dos anões estarem sobre ombros de gigantes (do latim nanos gigantum humeris insidentes) metaforiza o peso do legado no sucesso que possamos ter actualmente. Esse conceito surgiu no século XII com Bernardo de Chartres mas ficou mais célebre com Isaac Newton em 1675, que postulou numa carta dirigida ao seu rival Robert Hooke: "Se eu vi mais longe, foi por estar sobre os ombros de gigantes". Esse legado resultante dos gigantes do passado funciona quase como que um selo de garantia para estes novos lançamentos da Quinta do Noval.  Antagonicamente é também o seu maior desafio/obstáculo, o da comparação minunciosa, quase castradora, com os monstros do passado como o 2011.

Vertical Quinta do Noval 2022Os taninos de 2020 (tannum em latim), os melhores que encontrei num Porto Vintage, são quase como um tónico de confiança que faz com que estes Vintages não tenham medo de nenhum outro. Não faço comparações com leões para não ser acusado de plágio metafórico (;)), antes sim com um touro de fraque e papillon. ;) Resumindo: os Vintage 2020 são enormes (o Nacional roça a perfeição); se encontrarem o Vintage 2015 em alguma garrafeira não o deixem escapar; o branco reserva é fresco, guloso e diferenciador no que ao Douro diz respeito; os tintos seguem a bitola qualitativa dos anos anteriores; e o Colheita 2007 é daqueles que nos dá muito mais do que aquilo que nós damos por ele. Que a estes gigantes se sigam outros ainda maiores!!!

Six Senses Douro Valley | Em busca do gene sentido

“Ali eu sinto que nada de mau pode acontecer na minha vida – nenhuma desgraça, nenhuma calamidade (deixando os meus olhos), que a natureza não pode reparar.”  Ralph Waldo Emerson

Six Senses Douro ValleyOs pequenos bosques com caminhos em terra, as vinhas serenas à beira rio e os cantos melodiosos dos pássaros nos jardins são enormes tesouros naturais nos quais devemos procurar refugio ... frequentemente. A natureza é o caminho mais puro para a paz interior, recarrega as energias, renova a personalidade e reconecta-nos. 

Six Senses Douro ValleyTodos nós nos sentimos (pelo menos um pouco) diferentes quando temos a oportunidade de respirar um ambiente livre de poluição, quando inalamos ar puro ou cheiramos a fragrância sedutora das flores. Para além deste relaxamento induzido pela natureza, haverá outros benefícios neste mergulho florestal? Alguns pesquisadores japoneses tiveram de cavar bem fundo para responder a esta questão.  

Six Senses Douro ValleyUm deles, Dr. Qing Li, dirige-se todos os dias (excepto quando chove muito) a um parque arborizado perto da Nippon Medical School, em Tóquio, onde trabalha. Não é apenas um lugar agradável para almoçar, ele acredita que o tempo passado sob a copa das árvores é um factor crítico no combate às doenças: da mente e do corpo.

Six Senses Douro ValleyPara além desta rotina quase diária, Li passa três dias por mês nas florestas perto de Tóquio, usando todos os seus cinco sentidos para se conectar com o meio ambiente e limpar a sua mente. Os japoneses denominam essa prática de shinrin-yoku – que traduzindo literalmente significa banho de floresta. 

Six Senses Douro ValleyEsse banho, segundo os estudos de Li tem o poder de combater problemas como o cancro, AVCs, úlceras gástricas, depressão, ansiedade e stress. Estimula o sistema imunológico, reduz a pressão arterial e ajuda a dormir. Após estes estudos, mais perto de nós, no Reino Unido e com forte apoio da duquesa de Cambridge - Catherin Middleton, discute-se nos dias que correm se este tratamento poderá ser prescrito  por médicos britânicos e se deverá fazer parte do NHS (o serviço nacional de saúde dos ingleses).

Six Senses Douro ValleyO shinrin-yoku foi desenvolvido na década de 1980 no Japão. Embora as pessoas já caminhassem pelas florestas do país há séculos, estes novos estudos evidenciaram, através da ciência, que essa actividade pode reduzir a pressão arterial, diminuir os níveis de cortisol e melhorar a concentração e a memória. Um produto químico liberado por árvores e plantas, chamado fitonídios, parece ser o responsável por todos estes "milagres".

Six Senses Douro ValleyÀ medida que mais pesquisas foram destacando os benefícios do shinrin-yoku, o governo japonês incorporou-o no sistema de saúde do país. Li, agora presidente da Society for Forest Medicine no Japão e autor de Shinrin-Yoku: The Art and Science of Forest Bathing, é o maior especialista mundial no tema. Segundo ele o shinrin-yoku deve ser encarado como um medicamento preventivo e não como um tratamento. 

Six Senses Douro ValleyNo livro de Li é referido que as pessoas passam a vida cada vez mais dentro de casa: cerca de 80% da população do Japão vive em áreas urbanas, e o americano médio passa mais de 90% do tempo em ambientes fechados. Na Europa estima-se que mais de 75% dos seus habitantes passem 90 % do seu tempo sob um tecto artificial.  E aquilo que somos enquanto humanos, nada tem a ver com este contexto enclausurado. 

Six Senses Douro ValleyEvoluímos conectados ao mundo natural, “ouvindo o vento e saboreando o ar”. O livro oferece também um conselho para a prática de shinrin-yoku: “Certifiquem-se que deixam o vosso telemóvel para trás. Vocês vão estar a andar sem rumo e devagar. Não vão precisar de nenhum dispositivo electrónico. Deixem o vosso corpo ser o vosso guia. Ouçam onde ele vos quer levar. Sigam o vosso nariz. E tomem o vosso tempo. Se não chegarem a lado nenhum, isso não importa, uma vez que inicialmente não iam a lugar nenhum. Vocês estão a saborear os sons, os cheiros e as visões da natureza, deixando a floresta entrar.”

Six Senses Douro ValleyEste conselho é ainda mais importante em tempos de pós-pandemia. Os anos conturbados de 2020-2021 fizeram com que, mal fossem aliviadas as restrições relacionadas com o COVID, os parques, os bosques e as florestas fossem invadidos por pessoas sedentas de ar puro. Quem, como eu, costuma frequentar estes espaços sabe que  estão mais lotados do que nos tempos pré-pandemia. 

Six Senses Douro ValleyMas mais importante que a minha opinião é a existência de diversos estudos científicos que chegam à mesma conclusão: os mergulhos na natureza tornaram-se mais frequentes em 2022 do que nos anos pré-pandemia. Curiosamente este efeito já havia sido observado na última grande pandemia que ocorreu em 1918.

Six Senses Douro ValleyEstar ao ar livre foi (correctamente) considerado mais saudável do que dentro de casa, e isso semeou uma onda de acampamentos ao ar livre, foi nessa altura que surgiram a maioria dos parques de campismo a nível mundial. 

Six Senses Douro ValleyO certo é que, pelo menos desde 1970, já foram globalmente (e cientificamente) aceites inúmeros benefícios desta reconecção com a natureza:  a diminuição da pressão arterial, a diminuição do stress, a atenuação dos sintomas da ansiedade e da depressão, estimulação e melhorias no humor, o melhoramento da função cognitiva e potenciação da empatia e da cooperação.

Six Senses Douro ValleyO modo como a natureza executa esta magia medicinal é ainda um pouco misterioso e nada consensual, mas, de acordo com um artigo publicado recentemente na revista Cognitive Research: Principles and Implications, parece haver uma evidência de que os ambientes naturais são capazes de nos darem exactamente a quantidade certa de estimulação para começarmos a reparar em coisas que anteriormente nos escapavam. 

Six Senses Douro ValleyO som de um rio, um pôr do sol atrás de uma montanha, ou o cheiro da terra molhada após a chuva, são fenômenos que captam o nosso interesse, mas não exigem a atenção concentrada (e até um pouco egoísta) requerida pela maioria das atividades lúdicas, como ver um filme ou ler um livro. Estar na natureza parece dar permissão ao cérebro para relaxar, apenas existir e perceber porque existe.

Six Senses Douro ValleyParadoxalmente, há algo na natureza que nos ajuda a ficar mais atentos e que melhora a nossa relação com os outros, pois deixamos de estar focados em nós mas sim nas pessoas com quem interagimos. Outro estudo curiosíssimo publicado em 2018 no Journal of Social and Personal Relationships revela que normalmente são necessárias pelo menos 200 horas de conversa com alguém para que o nosso cérebro o passe a guardar na "gaveta de amigos".

Six Senses Douro ValleyQuando a conversa ocorre em contexto natural, num parque, numa floresta, num bosque, numa praia ou nas margens de um rio, essa "exigência" baixa para 130 horas, pois estamos mais focados, mais conectados. Quando se adiciona comida a essas conversas significativas em contexto natural, é promovida uma conexão ainda mais profunda, são libertadas endorfinas no cérebro, surgem gargalhadas, afectos e o tempo requerido baixa para 90 horas.

Six Senses Douro ValleyEsta relação entre a comida e a natureza faz-nos entrar num ciclo vicioso, pois cultivar a nossa própria comida ajuda a reconectarmo-nos com a natureza à medida que aprendemos a abraçar as estações, o solo, a água e a luz do sol que, em conjunto, fazem com que os nossos alimentos cresçam. Quero com tudo isto dizer que a nossa relação com a natureza (ou a ausência dela) vai condicionar a nossa saúde, o nosso humor, o modo como nos relacionamos com os outros e até a maneira como encaramos a comida. Quase que nos dá um sexto sentido. Quase? Ou será que dá mesmo?

Six Senses Douro ValleyÉ hoje unanimemente aceite que todos temos, pelo menos,  cinco sentidos: o tacto, o olfacto, a visão, a audição e o paladar. Mas pode ser que exista mais um sentido que nos ajuda a interagir com o mundo à nossa volta. Um estudo publicado no New England Journal of Medicine (prometo que é o último de hoje ;)) sugere que possuímos um gene chamado PIEZO2, que é responsável por nos ajudar a fazer o reconhecimento espacial do nosso corpo durante as nossas acções e que também controla aspectos específicos do toque. Funciona como um sexto sentido que nos dá uma maior consciência do mundo à nossa volta.

Six Senses Douro ValleyTestes clínicos efectuados em pacientes que exibiam características neuromusculares e psicológicas distintas mostraram que este sexto sentido, surgia mais naqueles pacientes em que os outros cinco sentidos se encontravam mais desenvolvidos, e que esse desenvolvimento mostrava uma forte relação com práticas relacionadas com shinrin-yoku.

Six Senses Douro ValleyNão sei se o nome da cadeia hoteleira Six Senses tem algo a ver com isto, provavelmente não, mas que o Six Senses Douro Valley tem muito a ver com esta abordagem holística da vida, com toda a certeza, afirmo que sim.

Six Senses Douro ValleyPor ali chegou-se à conclusão que neste mundo de desconexão, a reconexão não acontece sozinha. Temos de decidir como nos conectar e com quem nos conectar. Por lá embarcamos numa jornada de descoberta através do nosso corpo, da nossa mente e do nosso coração para nos conectarmos com os outros e desenvolver o amor pelo mundo natural.

Six Senses Douro Valley: Pequeno AlmoçoLocalizada no vale do Douro, classificado pela UNESCO como património da Humanidade, esta propriedade de oito hectares onde está situado o Six Senses Douro Valley foi tocada pelo romance da arquitectura do século XIX num casamento perfeito com o design de interiores que reflecte o inimitável estilo da Six Senses.

Six Senses Douro Valley: Pequeno AlmoçoO Six Senses Douro Valley possui 60 quartos e suites distribuídos pelas categorias de quartos Quinta Superior, Quinta Deluxe e Quinta River até espaçosas suites, Quinta Suite, Quinta Panorama, Courtyard, Rooftop e Vineyard suites. A partir de 1 de Julho passam a estar disponíveis mais nove quartos e suites Valley e duas villas com piscina. 

Six Senses Douro Valley: Pequeno AlmoçoOutra das mais valias do hotel é, sem margem para dúvidas, o seu SPA. De generosas dimensões e decorado com materiais amigos do ambiente, transmite uma atmosfera suave e actual; um encontro entre a natureza, tradições portuguesas e os elementos de água, pedra e madeira. Possui sauna panorâmica, diversos tipos de banho e uma piscina interior com cromoterapia.

Six Senses Douro Valley: Pequeno AlmoçoAs escolhas gastronómicas no Six Senses Douro Valley são a celebração da região, com a maioria dos produtos utilizados provenientes do vale do Douro e da horta orgânica do hotel. Os produtos da horta são colhidos diariamente de maneira a serem sempre frescos e estarem no seu máximo sabor.

Six Senses Douro Valley: Pequeno AlmoçoGastronomia é cultura, paixão e emoção por parte daqueles que preparam os menus, pensando naqueles que vindo ao Douro esperam encontrar nos restaurantes do Six Senses Douro Valley uma experiência que os transporte para os sabores e saberes locais.

Six Senses Douro ValleyO Chef Nuno Matos e a sua equipa estão empenhados na composição de pratos saudáveis e sustentáveis utilizando produtos da horta biológica do hotel, criando os seus próprios ingredientes e utilizando técnicas tradicionais e naturais. Isto é pensar na comida a um nível diferente sem comprometer os objectivos finais de sabor e felicidade. No Six Senses Douro Valley, o conceito gastronómico reúne o melhor dos dois mundos culinários para a sua indulgência ocasional: é saudável e é também delicioso.

Six Senses Douro ValleyNessa vertente gastronómica destacamos ainda a particularidade do Chefe Nuno Matos (este é daqueles que vai longe, e não arrisco mesmo nada em dizer isto). Promove pratos muito naturais e aparentemente simples (quer no número quer no tipo de elementos), tentando destacar a qualidade e frescura dos produtos que usa, maioritariamente, sazonais e locais.

Six Senses Douro ValleyInclui também elementos não locais, para adicionar algo distinto (quase irreverente) ao prato, escondendo sabores que dão uma outra camada de emoção e identidade. Trabalha a acidez dos pratos de um modo como ainda não havia encontrado em Portugal e isso faz com que o palato esteja sempre desperto para o próximo prato e para o próximo sabor escondido. 

Six Senses Douro ValleyNo restaurante Vale Abraão destacamos a frescura doce, untuosa e requintada da Cebola assada, trufa negra e noisette em forno a lenha, a riqueza avinagrada e intensidade da Beringela fermentada, puré de batata doce e acelgas grelhadas com aipo;  a frescura vincadamente aristocrata da Lula do Atlântico com arroz caldoso de funcho e espinafres (se houvesse um "pica no chão" do mar seria algo assim ;)) a irreverência, notas fumadas e frescura da horta do Pato maturado, topinambur e beterraba ( o melhor pato que comi até hoje); e a enganadora simplicidade da Tangerina, carregada de originalidade, frescura e contrastes.

Six Senses Douro ValleyNo pequeno-almoço deixem-se seduzir pelos iogurtes caseiros, sumos detox preparados com ingredientes do jardim, pão cozido no forno de lenha, bolos tradicionais com um twist de modernidade, compotas caseiras e pelos meus favoritos: ovos Benedict, tosta de Abacate e ovos mexidos, tudo isto é claro, acompanhado por um belo espumante duriense.  

Six Senses Douro ValleyVerdadeiramente diferenciador é o brunch. Servido em modo "menu de degustação", o desfile começa com um dip sazonal e pão caseiro, azeite virgem extra de Trás-os-Montes, uma salada de folhas verdes biológicas, ostras frescas da costa atlântica (uma perdição!!!) e uma selecção de queijos e presuntos portugueses.

Six Senses Douro ValleySeguem-se um tiradito de robalo, uma abóbora assada, um robalo assado com molho  béarnaise e uma selecção de carnes maturadas grelhadas no forno a carvão. O menu acaba com três sobremesas e pode ser acompanhado por uma selecção de 5 vinhos.

Six Senses Douro ValleyDeixando a gastronomia para trás (acho que já teve bastante destaque ;)), para promover a reconecção com a natureza o hotel oferece ainda diversas experiências: caminhadas de um dia, ou meio dia, em Samodães (após o  regresso ao hotel é possível reconfortar os nossos pés num tratamento de Acupressão no SPA); visitas à hora pedagógica do hotel guiada pela jardineira residente (no final os participantes são convidados a preparar a sua própria bebida com as ervas aromáticas da horta); e o workshop “Pickles, Iogurtes e Germinados” onde a sustentabilidade e a comida dão as mãos; e pinturas de azulejos com o auxilio de artistas da região. 

Six Senses Douro ValleyHá ainda a imperdível subida às árvores  acompanhada por uma equipa de especialistas (ao contrário do que possam estar a pensar não são necessárias competências especiais) que permite apreciar as estonteantes vistas sobre o Douro; o workshop no Alchemy Bar onde é possível aprender como alguns produtos cosméticos eram produzidos nos dias antes dos petroquímicos (as ervas, as frutas e as especiarias locais são trabalhadas para criar produtos de beleza artesanais e inteiramente orgânicos, poções de farmácia de cozinha, esfoliantes corporais, máscaras de rosto e cabelo, bálsamos labiais, fragrâncias para o lar e muito mais); tratamentos faciais Biologique Recherche; e massagens terapêuticas (a Clarisse experimentou uma e adorou, saiu de lá “Zen”...).

Six Senses Douro ValleyO Chá das Cinco é um momento de relaxamento e de prazer em volta do fogo de uma confortável lareira, enquanto saboreamos deliciosos bolos e salgados. Os chás são variados e a sua maioria procedente de ervas aromáticas do jardim orgânico. Scones artesanais, mini-tarte de maçã, donut com nutella caseira seguidos de sanduíches de truta fumada e de queijo da serra e presunto porco bísaro são algumas das especialidades que nos deixaram com água na boca.

Six Senses Douro ValleyTão perto do Douro não podiam faltar as provas de azeite e as experiências vínicas, dentro e fora do hotel, que nos ajudam a aprofundar o conhecimento sobre o mundo mágico dos vinhos do Porto e do Douro. O hotel tem tanto que a publicação tinha mesmo que ser assim, mais longa que o habitual, de modo a que fiquem a conhecer tudo aquilo que o Six Senses Douro Valley tem para oferecer.

Six Senses Douro Valley O hotel é enorme, está quase sempre lotado, e tem mais de 70 quartos, no entanto, a sensação é quase de isolamento, de casa vazia, de serenidade, quase como se o hotel fosse nosso por aqueles dias. As pessoas estão entretidas nas suas diferentes actividades (são mais de 20!!!) e isso faz com que quase nunca haja aglomerados.

Six Senses Douro ValleyEm quase todos os hotéis que visitamos , o Six Senses Douro Valley  é tido como o epitome, o pináculo muito superior, o símbolo inquestionável da qualidade alicerçada na sustentabilidade, quase como o grau máximo de excelência no que à hotelaria diz respeito. Acho que com tudo o que vos disse anteriormente, fica bem vincado o porquê dessa fama: lá o nosso sexto sentido, o do gene por vezes encolhido, emerge, garantido.