Livro do Tomate Coração de Boi do Douro ganha importante prémio internacional | Como quem regressa a casa
"A verdadeira pátria do homem é a infância." Rainer Maria Rilke
Não se sabe ao certo se a frase com que emoldurei esta publicação é mesmo do autor que lhe associo, mas talvez isso até nem importe. Atribuída a Rilke, essa ideia tem o fulgor das verdades que dispensam prova: que a infância é mais do que um tempo, é uma geografia interior.

Não um lugar no mapa, mas um lugar no coração. Um território invisível onde se moldam os sabores essenciais, as primeiras perdas, os gestos de ternura, o sentido do belo e do justo. A infância é a pátria porque é lá que se formam as raízes do que mais tarde chamamos identidade.
É talvez por isso que certos sabores nos devolvam à origem como quem regressa a casa. O sal no pão da avó. O pêssego aquecido pelo sol da tarde. O tomate arrancado da terra, ainda com pó nos dedos. Há sabores que não nos alimentam apenas, iluminam-nos. Dizem-nos de onde viemos. Dizem-nos quem somos.

O Tomate Coração de Boi do Douro pertence a essa família sagrada de sabores com memória. Com uma textura que beira o veludo e um perfume de Agosto no fim do dia, este fruto não é apenas um produto agrícola: é um testemunho. Um pedaço comestível de território, cultura e resiliência.
Não espanta, por isso, que o livro que lhe dá corpo, Tomate Coração de Boi do Douro – A outra riqueza do vale mágico, tenha sido agora eleito melhor livro do mundo sobre frutos, nos prestigiados Gourmand World Cookbook Awards, entregues no mês passado em Cascais, no âmbito do World Food Summit.
Mais do que um reconhecimento editorial, este prémio é um aplauso colectivo a um modo de vida. Um gesto que celebra produtores, cozinheiros, autores, leitores, todos aqueles que acreditam que o futuro passa, em boa medida, por voltarmos a saber cuidar do que é pequeno, sazonal e autêntico. Como escreve Celeste Pereira, da Greengrape, o livro é “raiz e resistência”, mas também “um convite”, à colaboração, à escuta, à protecção do que nos torna únicos.
Ao folhear estas páginas, somos guiados por histórias e paisagens, mapas e práticas, receitas e silêncios. O tomate é o pretexto, mas o que se celebra é o Douro, na sua dimensão mais sensível e menos monumental. Um Douro de sombra e brisa, de hortas discretas e quintas familiares, onde o tempo ainda sabe o nome de cada estação.
A festa e o concurso do Tomate Coração de Boi do Douro (TCBD), que este ano cumpre 10 edições e decorre a 29 e 30 de Agosto na belíssima Quinta da Pacheca, é o prolongamento vivo desta homenagem impressa. É onde o fruto se prova, se escolhe, se discute e se celebra, como se fosse arte efémera. Porque é isso que é: matéria perecível com valor imenso.
No final, talvez tudo o que seja digno de memória tenha essa forma: algo que nasce da terra, passa pelas mãos e se transforma, por atenção e por amor, em cultura.

📖 O livro pode ser consultado aqui:
👉 https://tomate-coracao-de-boi-do-douro.com/_pdfs/TCDB-livro-p01-100-low-res.pdf
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