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No meu Palato

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Carlos Bastos vinhos | Alegria selvagem

"Dizes-me: tu és mais alguma cousa que uma pedra ou uma planta. Dizes-me: sentes, pensas e sabes que pensas e sentes. Então as pedras escrevem versos?" Fernando Pessoa

Carlos BastosA região de Trás-os-Montes, conhecida pelas suas serras, planaltos e vales selvagens, tem um terroir único que mune o seus vinhos com características ímpares, vinhos esses que são conhecidos não só pela sua enorme diversidade mas também pela sua elevada qualidade.

Carlos BastosA sua riqueza reflecte esta diversidade única, cultivada desde o tempo dos romanos, que para além dos vinhos deixaram na região inúmeros moinhos construídos nas rochas e que permanecem imaculados até aos dias de hoje. É claro que outro factor determinante na excelência destes vinhos tem a ver com os vários hectares de vinhas velhas que têm permitido a afirmação pela diferenciação e produção de vinhos realmente originais.

Carlos BastosHá quem defenda que as águas termais abundantes nesta região, também contribuem para a especificidade dos vinhos transmontanos,  mas isso é algo que carece de fundamentação cientifica. Certo é que o clima mediterrânico com influência continental, agreste, frio e com grande exposição solar; e os solos ora xistosos ora de um granito arenoso, dotam os vinhos de uma sedutora mineralidade e uma frescura vincada e alegre.

Carlos BastosNo entanto, na minha opinião, o que mais diferencia/valoriza um vinho transmontano, tem a ver com a sua produção "quase artesanal" complementada por uma enologia de precisão e baixa intervenção. Há um trabalho enorme na vinha, para que na adega seja "apenas" necessário deixar o vinho se expressar. 

Os melhores de 2020Hoje vou escrever-vos sobre 3 vinhos criados com todo este legado de características, produzidos por Carlos Manuel Alves Bastos: o Quinta Serra D'Oura Reserva Rosé 2017, o Head Rock Colheita Selecionada Branco 2016 e o Quinta Serra d'Oura Reserva Tinto 2016.  Conheci os seus vinhos aquando de uma visita ao G Restaurant da Pousada de Bragança, e a partir daí fui-me interessando cada vez mais por eles. 

Os melhores de 2020Os projectos Head Rock Wines e Quinta Serra d’Oura, nasceram em 2007 com a compra dos terrenos que hoje acolhem as vinhas e que passam para as uvas a alegria selvagem tão única deste terroir. Sendo que o primeiro vinho surgiu apenas em 2011, um ano, como sabemos, muito "fraquinho". ;) Por entre toneladas de pedras (granítico, quartzo e saibro), surgem uvas frescas, com uma acidez vincada, e elevada expressão aromática.

Os melhores de 2020O Quinta Serra D'Oura Reserva Rosé 2017 (15.00 €, 85 pts.), de cor salmão profunda, tem um nariz muito complexo com morangos, frutos silvestres, violetas, jasmim e uma leve baunilha que lhe fica muito bem (só é pena que os morangos tenham um pouco de destaque a mais, caso contrário a nota seria outra). Na boca é um vinho seco, levemente mineral (granito molhado) e a acidez é muito vincada e alegre. É um vinho que pede, incessantemente, por comida. ;)

Os melhores de 2020O Head Rock Colheita Selecionada Branco 2016 (9 €, 88 pts.), de traje amarelo-palha está claramente no ponto ideal para ser consumido. No nariz o seu principal predicado é uma elevada mineralidade (granito molhado),  jasmim, flor de limoeiro, maracujá, líchias e um anisado muito suave.  

Carlos BastosO palato mostra uma frescura irreverente e pronunciada, intensidade, elegância e uma ligeira untuosidade. O preço deste vinho está completamente desajustado (para baixo), entrega-nos muito mais do que aquilo que é suposto... Por sua vez, o rubi Quinta Serra d'Oura Reserva Tinto 2016 (15 €, 89 pts.) exibe no nariz notas deliciosas a mirtilos, framboesas, morangos, tília, baunilha e almíscar. Carlos BastosNa boca é muito fresco, denso, intenso e mostra taninos arredondados e super elegantes. Tal como os outros dois, pedia comida, e por isso "dei-lhe" uns Petits Pâtés de veado, cogumelos shitake, Salame de Nápoles, rojões de redenho e redução de vinho do Porto.

Carlos BastosTodas aquelas toneladas de granito, quartzo e saibro, que compõe o poema geológico de Trás-os-Montes, aliados a um terroir agreste,  a uma viticultura artesanal e uma enologia de precisão permitiram o surgimento de vinhos como estes, únicos e fieis ao legado histórico que carregam; e munidos de uma alegria (acidez) selvagem contagiante.



Petits Pâtés de veado, cogumelos shitake, Salame Napoles, rojões de redenho e redução de vinho do Porto:

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