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No meu Palato

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Notas Soltas Trinca Bolotas | Eça, a cidade e as planícies

"Gosto de porcos. Os cães olham-nos de baixo, os gatos de cima. Os porcos olham-nos de igual para igual." Winston Churchill

Trinca BolotasO primeiro vinho alentejano da Sogrape surge em 1991, produzido com uvas seleccionadas adquiridas a produtores da zona da Vidigueira e vinificadas numa adega local, alugada para o efeito, sob a orientação da equipa de enologia da Sogrape. O Vinha do Monte, um vinho que é hoje um clássico da região, foi a marca de lançamento, abrindo a porta à aquisição da Herdade do Peso, também na Vidigueira, em 1996.  Em 2014 é lançada a marca Trinca Bolotas, destinada a um consumidor urbano, mas que não está desligado das suas origens.

Trinca Bolotas Apesar desta história muito recente, a Trinca Bolotas é já uma das 3 marcas mais reconhecidas nos vinhos alentejanos, afirmando-se pela irreverência e actualidade da sua comunicação. São precisamente esses dois pilares (origem e urbanidade), até agora trabalhados de forma separada no mercado de vinhos alentejanos, que a Trinca Bolotas quer explorar em homenagem à planície encantada. 

Trinca BolotasHoje, no espaço #notasoltas, falo-vos de dois vinhos Trinca Bolotas: O Trinca Bolotas Tinto 2019 (5.99 €, 81 pts.) e o Grande Trinca Bolotas Tinto 2019 (9.00 €, 83 pts.).  O primeiro tem uma bonita cor vermelho-rubi com auréola violeta e emana aromas muito marcados a ameixa vermelha, groselha, mirtilos, violeta, cedro e leve abaunilhado. Na boca é elegante, encorpado, seco, fresco e muito expressivo. 

Trinca BolotasPor sua vez, o Grande Trinca Bolotas Tinto 2019 (9.00 €, 83 pts.) traja um vermelho-rubi intenso e exibe um nariz complexo com ameixa preta, cereja, azeitona, pimenta preta, sous-bois, grafite e tosta bem integrada. No palato é elegante, fresco e possui uns taninos arredondados/super equilibrados.  Pareceu-me ainda mais seco que o Trinca Bolotas e isso até lhe ficou bem.

Trinca BolotasCuriosamente, estes são vinhos que procuram fazer no copo, o que Eça de Queiroz fez no seu livro "A cidade e as serras", uma simbiose entre a vida urbana, módica e agitada de uma cidade (no caso de Eça, Paris) e a vida cheia de origens, tranquila e pacata de uma aldeia rural, tudo isto, tal como no livro, com um sentimento de pertença e uma componente gastronómica muito vincados.