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No meu Palato

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Saudades do Porto? | O que temos a aprender com o cerco de 1832

"O Porto não é em rigor uma cidade: é uma família. Quando algum mal o acomete, todos o sentem com a mesma intensidade; quando desejam alguma coisa, todos a desejam ao mesmo tempo. Os portuenses são tão ciosos da integridade da sua cidade, como os portugueses em geral da integridade da nação."  João Chagas

BluedragonCorria o dia 9 de Julho do ano de 1832, e após uma breve paragem nos Açores, D. Pedro e o seu exército de liberais exilados, desembarca em Pampelido, uma praia Perto do Porto, culminando uma viagem que se iniciou no Brasil.

BluedragonRapidamente ocupa a cidade, trazendo hortênsias na ponta das espingardas, sendo aplaudidos pelos seus habitantes vestindo de azul e branco, as cores liberais (está ai a explicação para as cores futebolísticas de um clube da cidade ;)).  

BluedragonEstávamos em plena Guerra Civil em Portugal, com 2 irmãos a disputar o trono: D. Pedro e D. Miguel. Para perceber esta guerra precisamos de recuar um pouco mais na história. D. Pedro e D. Miguel eram filhos de D. João VI, o rei que fugiu em 1807 para o Brasil com toda a sua corte para evitar ser capturado por Napoleão, que entretanto invadia o nosso país. 

BluedragonCom a situação mais calma, com Napoleão longe e após 14 anos,  D. João VI regressou a Portugal em 1821, deixando no Brasil o seu filho mais velho, D. Pedro, como regente, tendo este, como se sabe, acabado por proclamar a independência do Brasil.

BluedragonJá em Lisboa,  D. João VI morre quatro anos depois. Logicamente, o herdeiro do trono seria D. Pedro, entretanto proclamado imperador do Brasil. Na linha de sucessão seguia-se D. Miguel, adepto confesso do absolutismo em oposição ao liberalismo do seu irmão. Como não havia acordo entre irmãos na sucessão e após difíceis negociações, a solução encontrada foi a  D. Pedro abdicar do trono português em favor de sua filha Maria da Glória, então com apenas sete anos.

BluedragonPara satisfazer a sede de poder do seu irmão, D. Pedro aceita que, até D. Maria da Gloria se casasse, quem ficaria na regência do reino seria D. Miguel. No entanto, pouco depois, D. Miguel, como seria de esperar (porque nestas histórias tem sempre de haver um artista/vilão) deu o dito por não dito, convocou cortes, anulou a monarquia constitucional/liberal e fez-se coroar rei absolutista.

BluedragonQuando, do outro lado do Atlântico, o seu irmão D. Pedro soube disto, abdica do trono brasileiro em favor do seu filho, D. Pedro II do Brasil, e decide liderar um movimento liberal a favor da restauração da monarquia constitucional em Portugal, e assim regressamos ao dia do desembarque em Pampelido. Ao saber que o irmão D. Pedro se refugiava no Porto e que a cidade apoiava a sua causa liberal, D. Miguel cerca o Porto. 

BluedragonOs confrontos entre absolutistas e liberais duraram dois anos deixando a cidade completamente destruída. Não havia comida, todas as árvores da cidade haviam já sido abatidas para suprir as necessidades de lenha e pelas ruas da cidade abundavam cadáveres em putrefacção. Para piorar tudo, e em resultado destas más condições sanitárias, em 1833, a cólera e o tifo propagou-se pela cidade sitiada, tomando quase 4000 vidas.

BluedragonÉ então que no dia 25 de Julho, dá-se um ataque das tropas a comando do marechal de Bourmont, aliado de D. Pedro, provocando a derrotas dos absolutistas. D. Miguel e o seu Estado-Maior retiram para o Sul, e o cerco é finalmente levantado, não sem antes as tropas incendiarem os armazéns de vinhos do Porto em Gaia, em que se perderam 18 mil pipas de vinho do Porto e largas centenas de pipas de aguardente (espero que estes "meninos" estejam a arder no Inferno ;)).

BluedragonFoi pela bravura demonstrada pelas suas gentes, demonstrada no Cerco do Porto, que se prolongou entre 1832 e 1833, que fez com que D. Pedro tivesse deixado o seu coração na Igreja da Lapa, naquela pequena urna de prata. Foi o que valeu também ao Porto o título de cidade Invicta, concedido pela rainha D. Maria II.

36.jpgHoje em dia o Porto encontra-se cercado por um terrível vírus, mas tal como no passado, a cidade vai vencer este novo "cerco", e quanto a nós, uma das maneiras de a ajudar (e é por isso que faço esta publicação), é a de planearmos a próxima visita, quando for seguro e como forma de aliviar as saudades.    

BluedragonMas então, o que fazer no Porto?

BluedragonPara além de visitar a Igreja da Lapa e o coração de D. Pedro, há a caótica (que saudades disso) e muito divertida zona ribeirinha, com bares e restaurantes em todas as esquinas. Ali é o sitio ideal para tirar uma foto perfeita da icónica ponte Luís I e passar pelas arcadas.

BluedragonSerralves acrescenta a esta oferta os sumptuosos terraços com avenidas arborizadas, topiárias, jardins, pérgulas e um charmoso museu de arte contemporânea; a Igreja de S. Francisco longas janelas históricas de 1425, portais ornamentados, abóbadas góticas e painéis esculpidos com motivos naturais; e o palácio da Bolsa o design neoclássico,interiores eclécticos e belíssimos frescos, lustres e azulejos.

BluedragonNo nosso plano não nos podemos esquecer da Torre dos Clérigos, com quase 76 metros, este igreja barroca pode ser vista de todo o Porto e era o edifício mais alto do país quando foi construída. A 240 degraus de distância podemos encontrar uma das melhores vistas da cidade.  

BluedragonA Praça da Liberdade é outro ponto de paragem obrigatório,  vizinha do Neoclássico Palácio das Cardosas, da estátua equestre de Pedro I do Brasil, das mais elegantes ruas da cidade e do Café Belle Époque Majestic, na Rua Santa Catarina.

BluedragonHá ainda a Casa da Musica, a Foz, a Catedral, a muralha Fernandina, os jardins do Palácio de Cristal, o parque da cidade, o museu Soares dos Reis,  o Museu Romântico da Quinta da Macieirinha, as caves (para provar o que o exercito de D. Miguel não conseguiu destruir ;), e a Livraria Lello, que para além de inúmeras referencias bibliográficas também nos oferece a sua atmosfera gótica, pináculos e uma arrebatadora escada de madeira (se são fãs de Harry Potter têm mesmo de lá ir!!!!).

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Há ainda espaços encantadores, que já tivemos o prazer de visitar, parecidos sair directamente dos tempos de D. Pedro IV como o Maison Albar Hotels Le Monumental Palace, a Pousada do Porto - Palácio do Freixo, o Porto A.S. 1829 Hotel, o Sheraton, o Hotel da Música, o Crowne Plaza e o Hotel Infante de Sagres.

BluedragonPara o palato sobram restaurantes orgulhosamente tripeiros como o Terra Nova, o The Yeatman, o DOP, o Barão Fladgate, o Astória, o SOMOS, O VINUM ou o restaurante A Escola by The Artist .

BluedragonComo estes locais mágicos ficam todos um pouco longe um dos outros, a Bluedragon fornece um excelente complemento para a vossa visita turística com bicicletas eléctricas para que possam aproveitar bem todos estes sítios incríveis, sem se cansar. Num carro ou de transportes públicos, a magia da visita perde-se um pouco.

BluedragonVisitem o site da Bluedragon e veja as vantagens dos walking tour e do bike tour, para conhecer as melhores atracções turísticas do Porto.

Bluedragon"O Porto ergue-se em anfiteatro sobre o esteiro do Douro e reclina-se no seu leito de granito. Guardador de três províncias e tendo nas mãos as chaves dos haveres delas, o seu aspecto é severo e altivo, como o de mordomo de casa abastada." Alexandre Herculano

BluedragonEmbebidos no espírito de D. Pedro IV, façamos força e fiquemos em casa, para que não demore muito para podermos voltar a encontrar o Porto, severo e altivo, sobrevivente a mais um cerco ;)